domingo, 10 de fevereiro de 2008

Tejo


Nestas tardes de uma quase Primavera tenho-te guardado em mim, tenho-te nesse canto restrito aqueles que amo.
Obrigada pelas tardes, pelos cafés, pelas palavras, pela vida em si mesma quando juntos somos mais que um só ser.

Sara Almeida

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Braga

Em ti gravo as memórias das noites passadas.
Em nós guardo o que somos e o que sou contigo.
És este pedaço de terra e de ruas que amo.

Braga 03.02.08

Sara Almeida

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

23 de Janeiro de 2006

A quem me lê, este texto vai ser um vómito de palavras que não vão fazer sentido, no entanto, escrevo por necessidade de mostrar o que é amar, o que é dor, o que é a amizade e quem sou eu por detrás de todas as palavras escritas neste espaço.
Estamos hoje no dia 23 de Janeiro de 2008 e faz exactamente hoje 2 anos que a minha irmã, amiga e companheira morreu. E agora é a altura em que todos ficam a pensar: "que merda, que tristeza, lamento!" Por favor não, não é isso que eu quero com este texto, eu só pretendo lembrar-me do que é amar alguém incondicionalmente, do que é ter ciúmes da melhor amiga, do que é telefonar e saber que estará lá sempre alguém, Sempre!

Amanhã seria o dia em que eu receberia a noticia da mãe a dizer: "Sara vais receber a pior noticia da tua vida" e sim... Foi isso mesmo que eu recebi, às 19h da tarde no meu trabalho, sim... Eu recebi a pior noticia da minha vida, eu ouvi as piores palavras que alguém pode ouvir.
Faz hoje 2 anos que eu passei a noite a chorar, em branco, ainda sem acreditar no que estava a acontecer.
Faz hoje 2 anos que olhei para as centenas de flores em volta de um caixão e me comecei a rir por a minha melhor amiga odiar o amarelo e não acreditar em padres da treta a pregarem aquilo que desconhecem, a dor que não sentem.
Ainda hoje tenho guardadas as cartas, as fotografias, as recordações de alguém que ainda hoje amo, que ainda penso e que ainda hoje sofro com a ausência.
Tenho vontade de chorar, tenho vontade de gritar ao mundo que nada é pior que a morte de alguém que amamos, nada é pior que isso, por isso Puta que vos pariu a todos, chega de hipocrisias e de falsas dores! (Desculpem, eu não quero ferir susceptibilidades com isto, é só mesmo um desabafo e sem desejos de atingir alguém)
Geralmente quando alguém morre existe a tendência a esquecermo-nos dos traços dessa pessoa, o que eu sempre achei curioso é que eu nunca esqueci os dela, nunca houve um momento em que não me lembrasse da voz, do cabelo, das unhas roídas, do corpo. Seria mais simples talvez se me tivesse esquecido, era sinal que não havia presença mas eu ainda sinto essa presença, todos os dias da minha vida, todos os dias eu sinto a presença da minha querida amiga.
Por isso, vos digo dêem valor ao que têm, dêem valor aos pequenos detalhes da vida, pisem a dor e a mágoa sem piedade e olhem em frente, olhem a merda do mundo e vejam o que é viver!

Aqui deixo o meu testemunho e aqui deixo um desabafo sem vontade de se abrir.

Sara Almeida

sábado, 19 de janeiro de 2008

São agora finais de uma tarde em que o frio nos aperta e os beijos nos aquecem.
Tenho o teu coração gravado no meu peito e as tuas mãos guardadas nos bolsos que cosi na pele.
Em ti procuro-me dentro do abraço que me força a ter-te em mim.
Em ti, meu amor, sou eu, aquela que não se envergonha da nudez do seu corpo e da palavra Amor.


Sara Almeida


*Mais um texto para a fotografia de Angelina Nicolau.

domingo, 6 de janeiro de 2008

É triste assistir à passagem do tempo e observar este rosto que se anula.
Dói-me o peito e os olhos das razões que não tenho.
Todos os mundos se abatem sobre mim e histórias que ainda estão por contar deixei-as no reflexo do meu corpo.
Está hoje na hora de sair, de arrancar a pele e fazer morrer estes gritos de silêncio que todos os dias me atropelam.
Está na hora, é tempo… E já passou…

Sara Almeida

* Fotografia de Angelina Nicolau (www.angelinanicolau.blogspot.com)
Obrigada...

sábado, 22 de dezembro de 2007

FELIZ NATAL A TODOS

E

FELIZ 2008

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Lisboa


"Por trás dos muros da cidade

no seu coração profundo de alicerces

de argilas e de sísmicos arroios - cresce uma voz

que sobe e fende a brandura das casas"


Al Berto in Horto de Incêndio

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Desejo perder-me no teu rosto e no teu corpo sem que possas ver que estou aí.
És parte de pequenos recortes que faço no coração, recortes que espalho pelo chão e piso de madrugada.
Desejo desejar o ódio e fazer desse ódio o motivo do meu anseio por ti.

Sara Almeida

quinta-feira, 15 de novembro de 2007



"The poetry that comes from the squaring off between,
And the circling is worth it.
Finding beauty in the dissonance."

Tool

quarta-feira, 24 de outubro de 2007


Sou parte de quem tu eras,
Sou corpo que arde sem ti,
E a saudade nada mais faz
Senão queimar aquilo que um dia foste.

Sara Almeida


Fotografia tirada em 2005, numa daquelas ocasiões em que a amizade está acima de tudo o resto.
Em memória de quem era a Joana lhe dedico estas palavras e a honro todos os dias quando acordo e me preparo para viver cada dia que passa.

Esta sim é a minha dedicatória a ela e deveria ser a de quem sofre por todos aqueles que um dia amou.
...Viver...



segunda-feira, 22 de outubro de 2007


Todo o teu corpo nu ondulava ao som do silêncio.
Era noite e não dia e lá fora o vento soprava quente.
Dentro do quarto somente uma respiração se ouvia.
Baixinho murmuravas a música que te fazia dançar.
Baixinho ditavas as palavras que te iriam fazer dormir.

Sara Almeida

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Uma Carta Dedicada

Recordo-me, recordo-nos...
Recordo um jardim onde percorria cada ponto, cada espaço com o olhar e observava tudo à minha volta como se cada flor, cada árvore, cada animal fossem únicas.
Recordo os cheiros de Lisboa e de quando a minha avó me vinha buscar à escola e íamos comprar milho para dar às pombas na Praça da Figueira.
Recordo a minha mãe e o seu sorriso quando às vezes nos olha e nos vê como as crianças que um dia fomos e das suas mãos a amaciarem-me o cabelo.
Recordo o meu pai com o seu típico sorriso e os olhos distantes, das lágrimas após tantas discussões e do abraço final de tréguas.
Recordo o meu avô paterno com a sua mão fechada revoltado com o país a falar constantemente de política e da minha avó a chorar por ele.
Recordo o meu irmão com as infinitas discussões que não davam em nada e dos seus olhos a pedirem uns ouvidos só mesmo para os ter e sentir que é ouvido.
Recordo a minha avó materna, do doce olhar, do sorriso ao falar de deus, ao falar da vida e do sentimento de paz que me transmitia a cada palavra.
Recordo o meu avô paterno, da sua constante má disposição, da cara zangada e do esforço que às vezes fazia para não esboçar um sorriso depois de eu me rir dele.
Recordo-me da praia em Sintra, do cheiro a mar, das brincadeiras, da felicidade e da tristeza, de tudo o que faz parte da família.
Recordo-nos... E é com essa recordação que vivo e é com ela que choro e sorrio e é dela que retiro amor.

Sara Almeida

*Este texto já tinha sido publicado no outro blog mas agora faz mais sentido mostrá-lo novamente... Foi escrito no dia 10.07.06.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Não escrevo porque deixei as mãos guardadas.
Não escrevo porque, embora a vida me permita a escrita, a escrita deixou de viver.

Não sou verbos, nem sílabas, nem mesmo palavras, sou um rosto entre outros que apaga a memória nos versos que não escreve.


Sara Almeida

domingo, 23 de setembro de 2007


Why do we fall, sir? So that we might better learn to pick ourselves up. - Alfred

E mais não será necessário dizer... Esta frase captou a minha atenção e por isso a publico aqui.


terça-feira, 11 de setembro de 2007

Uma Viagem





Boston, Massachusetts

Mochila às costas e caderno em punho retratando o me que corta a respiração.
As fotografias estão em mim, guardadas nesse pequeno espaço onde rasgo as memórias.

Sara Almeida


segunda-feira, 18 de junho de 2007

Sobre o teu corpo deito as minhas mãos e entre beijos sôfregos penetro-te na pele.
Nas costas cravo-te as marcas dos meus dedos ansiosos por sentir o teu arrepio na espinha. Tens o cheiro doce e amargo de mulher e nesse cheiro proibido quero perder-me.
Sobre os teus longos cabelos pretos desejo adormecer e nos teus olhos desejo ver e olhar e consumir as lágrimas que não derramas.
É de ti que bebo vida e em ti que guardo a mulher que sou.

Sara Almeida


sábado, 2 de junho de 2007

É um pulsar que não pára, que afunda e que prende.
É um bater que trai, que angustia e que faz do sentido um suplício.

(É um som, um som…)

São palavras em que o nada se retira.
Com elas se faz amor e com elas se morre.


Sara Almeida



domingo, 20 de maio de 2007

As palavras que te queria escrever não as poderei ditar e em lágrimas se queimam.
É num quarto vazio e desprovido de alento que faço de conta que existo e que desenho os contornos de um amanhã que ao teu lado não virá.
Sou pele e carne e nesta noite sou estas mãos que pintam com sangue numa tela em branco o corpo que tive.
Dentro de mim ficaram os teus restos e em ti ondulam as mãos que te ofereci na noite em que disseste não.

Sara Almeida

quinta-feira, 10 de maio de 2007

...And life goes on...

De verniz roído escrevo estas palavras tentando esconder o que resta das mãos.

Não me digam que sou poeta porque não me vejo como tal, sou mulher que sente, ama, pensa e cria palavras através de sensações e desejos de uma vida apaixonada.
Muitas vezes disse e escrevi que o valor que damos ao mundo é mínimo e que cabe a nós mesmos mudarmos o curso das nossas vidas.
Todos nós sabemos amar, sabemos dar, sabemos conquistar basta querermos, basta olharmo-nos todos os dias ao espelho e apaixonarmo-nos por nós próprios.
A Vida é Poesia, é Palavra, é Conquista.

Já alguma vez se deram ao trabalho de imaginar um momento em câmara lenta?
Imaginem sairem do metro do Cais do Sodré de manhã quando muitas pessoas vão a correr para o trabalho, ainda com os olhos fechados e ainda adormecidas com os sonhos à flor da pele, com um mendigo à saída a pedir sentado na calçada, um outro homem a distribuir o jornal Destak e tudo vos parece uma correria sem espaço nem tempo para apreciar. Imaginem agora este tão simples momento lentamente e tentem de manhã absorver a beleza das vidas que passam, absorver cada momento, cada emoção, cada sentido.
O sorriso, como se costuma dizer, é uma fonte de juventude.
Sorriam todos os dias e não deixem que as lágrimas vos consumam o corpo e o espírito.

Um Beijo

Sara Almeida

*Não deixei de escrever, deixei simplesmente de publicar o que escrevo pois não me parece que sirva de muito continuar. Este texto foi escrito em forma de resposta ao comentário que tive no texto anterior, só queria dar mais uma "lufada de ar fresco" a alguém que acho não conhecer.