sábado, 22 de dezembro de 2007

FELIZ NATAL A TODOS

E

FELIZ 2008

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Lisboa


"Por trás dos muros da cidade

no seu coração profundo de alicerces

de argilas e de sísmicos arroios - cresce uma voz

que sobe e fende a brandura das casas"


Al Berto in Horto de Incêndio

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Desejo perder-me no teu rosto e no teu corpo sem que possas ver que estou aí.
És parte de pequenos recortes que faço no coração, recortes que espalho pelo chão e piso de madrugada.
Desejo desejar o ódio e fazer desse ódio o motivo do meu anseio por ti.

Sara Almeida

quinta-feira, 15 de novembro de 2007



"The poetry that comes from the squaring off between,
And the circling is worth it.
Finding beauty in the dissonance."

Tool

quarta-feira, 24 de outubro de 2007


Sou parte de quem tu eras,
Sou corpo que arde sem ti,
E a saudade nada mais faz
Senão queimar aquilo que um dia foste.

Sara Almeida


Fotografia tirada em 2005, numa daquelas ocasiões em que a amizade está acima de tudo o resto.
Em memória de quem era a Joana lhe dedico estas palavras e a honro todos os dias quando acordo e me preparo para viver cada dia que passa.

Esta sim é a minha dedicatória a ela e deveria ser a de quem sofre por todos aqueles que um dia amou.
...Viver...



segunda-feira, 22 de outubro de 2007


Todo o teu corpo nu ondulava ao som do silêncio.
Era noite e não dia e lá fora o vento soprava quente.
Dentro do quarto somente uma respiração se ouvia.
Baixinho murmuravas a música que te fazia dançar.
Baixinho ditavas as palavras que te iriam fazer dormir.

Sara Almeida

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Uma Carta Dedicada

Recordo-me, recordo-nos...
Recordo um jardim onde percorria cada ponto, cada espaço com o olhar e observava tudo à minha volta como se cada flor, cada árvore, cada animal fossem únicas.
Recordo os cheiros de Lisboa e de quando a minha avó me vinha buscar à escola e íamos comprar milho para dar às pombas na Praça da Figueira.
Recordo a minha mãe e o seu sorriso quando às vezes nos olha e nos vê como as crianças que um dia fomos e das suas mãos a amaciarem-me o cabelo.
Recordo o meu pai com o seu típico sorriso e os olhos distantes, das lágrimas após tantas discussões e do abraço final de tréguas.
Recordo o meu avô paterno com a sua mão fechada revoltado com o país a falar constantemente de política e da minha avó a chorar por ele.
Recordo o meu irmão com as infinitas discussões que não davam em nada e dos seus olhos a pedirem uns ouvidos só mesmo para os ter e sentir que é ouvido.
Recordo a minha avó materna, do doce olhar, do sorriso ao falar de deus, ao falar da vida e do sentimento de paz que me transmitia a cada palavra.
Recordo o meu avô paterno, da sua constante má disposição, da cara zangada e do esforço que às vezes fazia para não esboçar um sorriso depois de eu me rir dele.
Recordo-me da praia em Sintra, do cheiro a mar, das brincadeiras, da felicidade e da tristeza, de tudo o que faz parte da família.
Recordo-nos... E é com essa recordação que vivo e é com ela que choro e sorrio e é dela que retiro amor.

Sara Almeida

*Este texto já tinha sido publicado no outro blog mas agora faz mais sentido mostrá-lo novamente... Foi escrito no dia 10.07.06.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Não escrevo porque deixei as mãos guardadas.
Não escrevo porque, embora a vida me permita a escrita, a escrita deixou de viver.

Não sou verbos, nem sílabas, nem mesmo palavras, sou um rosto entre outros que apaga a memória nos versos que não escreve.


Sara Almeida

domingo, 23 de setembro de 2007


Why do we fall, sir? So that we might better learn to pick ourselves up. - Alfred

E mais não será necessário dizer... Esta frase captou a minha atenção e por isso a publico aqui.


terça-feira, 11 de setembro de 2007

Uma Viagem





Boston, Massachusetts

Mochila às costas e caderno em punho retratando o me que corta a respiração.
As fotografias estão em mim, guardadas nesse pequeno espaço onde rasgo as memórias.

Sara Almeida


segunda-feira, 18 de junho de 2007

Sobre o teu corpo deito as minhas mãos e entre beijos sôfregos penetro-te na pele.
Nas costas cravo-te as marcas dos meus dedos ansiosos por sentir o teu arrepio na espinha. Tens o cheiro doce e amargo de mulher e nesse cheiro proibido quero perder-me.
Sobre os teus longos cabelos pretos desejo adormecer e nos teus olhos desejo ver e olhar e consumir as lágrimas que não derramas.
É de ti que bebo vida e em ti que guardo a mulher que sou.

Sara Almeida


sábado, 2 de junho de 2007

É um pulsar que não pára, que afunda e que prende.
É um bater que trai, que angustia e que faz do sentido um suplício.

(É um som, um som…)

São palavras em que o nada se retira.
Com elas se faz amor e com elas se morre.


Sara Almeida



domingo, 20 de maio de 2007

As palavras que te queria escrever não as poderei ditar e em lágrimas se queimam.
É num quarto vazio e desprovido de alento que faço de conta que existo e que desenho os contornos de um amanhã que ao teu lado não virá.
Sou pele e carne e nesta noite sou estas mãos que pintam com sangue numa tela em branco o corpo que tive.
Dentro de mim ficaram os teus restos e em ti ondulam as mãos que te ofereci na noite em que disseste não.

Sara Almeida

quinta-feira, 10 de maio de 2007

...And life goes on...

De verniz roído escrevo estas palavras tentando esconder o que resta das mãos.

Não me digam que sou poeta porque não me vejo como tal, sou mulher que sente, ama, pensa e cria palavras através de sensações e desejos de uma vida apaixonada.
Muitas vezes disse e escrevi que o valor que damos ao mundo é mínimo e que cabe a nós mesmos mudarmos o curso das nossas vidas.
Todos nós sabemos amar, sabemos dar, sabemos conquistar basta querermos, basta olharmo-nos todos os dias ao espelho e apaixonarmo-nos por nós próprios.
A Vida é Poesia, é Palavra, é Conquista.

Já alguma vez se deram ao trabalho de imaginar um momento em câmara lenta?
Imaginem sairem do metro do Cais do Sodré de manhã quando muitas pessoas vão a correr para o trabalho, ainda com os olhos fechados e ainda adormecidas com os sonhos à flor da pele, com um mendigo à saída a pedir sentado na calçada, um outro homem a distribuir o jornal Destak e tudo vos parece uma correria sem espaço nem tempo para apreciar. Imaginem agora este tão simples momento lentamente e tentem de manhã absorver a beleza das vidas que passam, absorver cada momento, cada emoção, cada sentido.
O sorriso, como se costuma dizer, é uma fonte de juventude.
Sorriam todos os dias e não deixem que as lágrimas vos consumam o corpo e o espírito.

Um Beijo

Sara Almeida

*Não deixei de escrever, deixei simplesmente de publicar o que escrevo pois não me parece que sirva de muito continuar. Este texto foi escrito em forma de resposta ao comentário que tive no texto anterior, só queria dar mais uma "lufada de ar fresco" a alguém que acho não conhecer.

sábado, 10 de março de 2007

Talvez mais um cigarro

Ultimamente não tenho tido vontade de publicar a minha vida neste espaço.
Sinto que não é meu e que os muitos textos que guardo são para algo mais.
Talvez um dia volte mas acho que não valerá a pena.

Um Beijo a todos aqueles que me acompanham.

Sara

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007


No silêncio procuro o grito e fora da luz escondo o peito.
Guardo em mim as memórias de outrora e mostro ao mundo o coração de pedra que criei nessas ruas que pisei.
Sou corpo dissolvido na alma e percorro a vida com punhos inacessíveis.
Toco o papel e esboço as palavras hoje de quem amanhã as vai rasgar.


Sara Alves de Almeida

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Foi naquele banco que um dia me procuraste.
Eu sentei-me lá mas dei por mim a levantar-me sem que pudesse sequer deixar-te uma mensagem para que não viesses.
Foi naquele banco que um dia te procurei.
Como em muitas outras vezes, não te encontrei, não te vi por entre o frio do vento, por entre as pedras da calçada que pisei quando virei costas ao momento.
Foi naquele banco de jardim que escrevemos os nossos nomes, tatuámos as nossas vidas e que um dia jurei perder-me em ti.

Sara Alves de Almeida

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Hurt



Em honra da Amiga e Companheira.
Descansa em paz minha querida.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Café Nicola

este cigarro nunca está apagado é
incandescente e leve nuvem de pó
ou nevoeiro desértico não deserto
e teu

é apagando o teu cigarro no meu
corpo que te entegas somente
nesta noite que me consomes a
vida até à exaustão, que retiras do
corpo o sangue que te queima a pele

os olhos para que não possas ver
para que possas tocar para que
sejas mão a tua mão que me segura
na insegurança do teu corpo do
meu corpo
compostos por justaposição combustível
para o tempo

são dos teus olhos que retiro todas
as coisas, que me separo da minha capa
e me dou às tuas mãos. Respiro através deste
peito já cansado inalo o fumo do cigarro
e vejo-te pela neblina
entre lençóis.
enrola-te no meu corpo somente esta noite

esta noite é esta é agora tanto quanto
és o meu corpo tu, os teus gestos, todos
os teus gestos, são meus no meu corpo
que sem palavras se abandona a um
silêncio telepático

nestas palavras vivemos e neste bloco
amamos
quero viver em ti,
perder-me na tua boca e
completar o que resta desta folha
pois só assim te posso dizer que acabei este poema


Lisboa (Café Nicola) 19.12.06

Sara Alves de Almeida com M.Tiago Paixão